[Talk-br] Hierarquia das rodovias

Fernando Trebien fernando.trebien em gmail.com
Sexta Maio 17 03:11:04 UTC 2013


Olá Pedro,

Não quero me repetir, mas a minha proposta para classificação das vias
(http://wiki.openstreetmap.org/wiki/Pt-br:How_to_map_a#Categoriza.C3.A7.C3.A3o_de_vias_.28outra_sugest.C3.A3o.29)
dá prioridade à classificação oficial do governo e só usa essas outras
características (como número de faixas) na falta dessa informação.
Afinal, não é difícil (pelo menos por aqui no sul) encontrar uma via
residencial de 4 pistas e uma via primária (arterial) de 2 pistas. Já
a presença de pavimentação é um indicador mais forte, afinal as vias
menos importantes tendem a não ser asfaltadas.

Mas o indicador mais forte de todos é a preferência. Num cruzamento, a
via que tem uma placa Pare tem que, necessariamente, ser de um tipo
"inferior" ao da via que não tem. Onde há mais tráfego, há semáforos
ao invés de placas Pare. Nesse caso, é a temporização do semáforo que
indicaria algo sobre a preferência, mas esse já é um fator mais
difícil de medir e que, inclusive, pode mudar e passar despercebido.
Geralmente só muda em regiões que estão se desenvolvendo, onde
terciárias estão virando secundárias.

Mas note que a preferência sozinha não estabelece a classificação em
todos os casos e pode gerar alguns situações contraditórias (como
"deadlocks" de prioridade). Isso é raro, e quando acontece, acho
melhor usar outras características pra classificar.

Em particular, em motorways e trunks eu penso que a velocidade máxima
é o fator predominante na classificação, pois ela define várias
características de projeto da via (como o tipo de acesso, a
pavimentação, o número de pistas, etc.). Mais de 80km/h é sempre
motorway (como nas freeways e autobahns). 80km/h em meio urbano é
trunk, sem dúvida, por se encaixar na definição de "via expressa" que
consta no próprio wiki (em inglês). Já em meio rural, 80km/h pode ser
trunk, primária, secundária ou até terciária, o critério para decidir
é a classificação oficial (se é rodovia nacional, estadual ou
intermunicipal). Na falta de classificação oficial, a melhor forma de
prover uma classificação informal é por comparação com as vias
próximas. Como são vias pouco importantes, eu não discutiria muito
sobre a classificação delas a menos que impactasse significativamente
o planejamento de rotas com GPS, por exemplo.

A ausência de sinalização de trânsito também é um sinal de que a via é
pouco importante; digamos, uma estrada asfaltada que conecte duas
cidades mas que não tenha quase nenhuma placa e não tenha marcação de
pistas no asfalto não corresponde sequer ao perfil típico das rodovias
estaduais, então ela só poderia ser (pela minha proposta) terciária ou
inferior.

Em meio urbano, é mais fácil assumir que as vias citadas como
"arteriais" em fontes oficiais (como a prefeitura da cidade) são todas
"primárias". Baseado nisso, em Porto Alegre, eu apliquei um
"algoritmo" iterativo para classificar as ruas que faltavam:
- todas as que não eram arteriais começavam como "residenciais"
- dessas, as preferenciais eram promovidas para "terciárias", não
importando se eram asfaltadas ou não ou que não correspondessem
exatamente à definição no wiki - invariavelmente eram caminhos mais
rápidos dentro dos bairros
- quando várias terciárias cruzavam uma via longa com mais preferência
sobre todas elas, a via cruzada se tornava "secundária"

Pra produzir um resultado bom, a regra acabou sendo um pouco mais
complexa que isso e se alguém quiser posso dar mais detalhes, mas
fiquei bem contente com o resultado até agora e com as rotas
produzidas pelo OSRM.

2013/5/16 Pedro Geaquinto <pedrodigea em gmail.com>:
> Eu continuo não concordando com essa definição de trunk.
>
> É muito simples tomar apenas como medida as faixas (2x2). Na minha
> concepção, a diferenciação na tag "highway=*" é de hierarquia, independente
> de sua disposição física. A wiki em inglês, fala que mesmo highway=motorway
> pode ser em via simples (mesmo não sendo comum), desde que seja em pequenos
> trechos, larga (2x2+), com acessos e saídas, e sem interrupções, sem perder
> o número de faixas. [1]
>
> Tudo bem que o formato físico é um ótimo parâmetro para tratar como padrão.
> Tomando como analogia: imagine se todos os trechos duplicados em trechos
> urbanos fossem "trunk"? Seria completamente incorreto.
> Da mesma forma, existem vias em certos estados que são obviamente mais
> importantes que outras vias mesmo ambas sendo simples (1x1)! E por essa
> convenção que estamos estipulando o contraste seria... primary vs primary.
> Tem que haver algum contraste, vocês não acham que a tag "trunk" não está
> sendo subutilizada nesse caso? Em vários países da América do Sul, como
> Argentina e Uruguai, já vi essa tag sendo utilizada para pista 1x1.
>
> O que eu acho é que deveriamos fazer uma lista de vias que não são trunk só
> tomando em consideração as faixas (2x2) e também são mais importantes que
> uma simples primary, ou seja, tem importância interestadual.
>
> E para mim, não vale o argumento de que uma pessoa vai olhar para o mapa e
> achar que a via tem 2x2. Existe a tag "lanes=*" justamente para isso.
>
> Portanto, minha lista para o meio rural, ficaria (mudanças em vermelho):
>
> motorway: rodovia duplicada, com canteiro central, sem cruzamentos, com
> acessos e saídas especiais e restrições para tráfego exterior. Exceções em
> pista simples podem acontecer, desde que sejam em pequenos trechos da
> extensão da rodovia e que não perca o número de faixas.
> trunk: rodovias pavimentadas de grande importâcia interestadual (ou
> nacional) listadas independente da sua disposição física. Em casos gerais,
> uma rodovia com mais de 4 faixas (2 por sentido), que pode ser atravessada
> em um ou mais pontos. Uma rodovia duplicada com faixas de pedestres, sinais
> de trânsito e lombadas seria trunk.
> primary: rodovias de pista simples e pavimentada, de grande importância
> intermunicipal (ou estadual).
> secondary: mesmo formato físico de primary, porém como via alternativa a uma
> primary ou rodovias de acesso à cidades menores. Outro caso para utilização
> é um corredor importante para o estado, porém não pavimentado.
> tertiary: sem pavimentação, liga municípios. Com pavimentação, liga
> distritos num mesmo município ou é alternativa a secondary.
> unclassified: via menor não pavimentada.
>
>
> [1]: Retirado da wiki: "In the less usual case of a motorway where traffic
> travels i both directions along the same carriageway use a single way and
> tag it with oneway=no."
>
>
> Em 16 de maio de 2013 20:05, Arlindo Pereira
> <openstreetmap em arlindopereira.com> escreveu:
>
>> Sim, os dados do IBGE são de domínio público, pede-se apenas a atribuição
>> dos dados, o que pode ser feito com source=IBGE.
>>
>> []s
>>
>> Em 16/05/2013 19:46, "Vítor Rodrigo Dias" <vitor.dias em gmail.com> escreveu:
>>
>>> Uma fonte razoável de dados e que está disponível para o público, embora
>>> não seja 100% confiável, são os mapas de setores censitários do IBGE,
>>> disponíveis em seu FTP. É possível usar esses dados nos mapas?
>>>
>>>
>>> Vítor Rodrigo Dias
>>> Revisor de textos
>>> Tradutor port/ing/port e port/esp/port
>>> Telefone: (31) 9895-3975 - TIM
>>>
>>>
>>> Em 16 de maio de 2013 19:44, Vítor Rodrigo Dias <vitor.dias em gmail.com>
>>> escreveu:
>>>>
>>>> Ah sim, agora entendi! Muito obrigado pela explicação!
>>>>
>>>> Abraços,
>>>>
>>>>
>>>> Vítor Rodrigo Dias
>>>> Revisor de textos
>>>> Tradutor port/ing/port e port/esp/port
>>>> Telefone: (31) 9895-3975 - TIM
>>>>
>>>>
>>>> Em 16 de maio de 2013 19:14, Fernando Trebien
>>>> <fernando.trebien em gmail.com> escreveu:
>>>>
>>>>> Tem uma explicação sobre o uso dos dados do Google no meio do FAQ do
>>>>> OSM:
>>>>> http://wiki.openstreetmap.org/wiki/FAQ#Why_don.27t_you_just_use_Google_Maps.2Fwhoever_for_your_data.3F
>>>>>
>>>>> "They [Google, NAVTEQ, TeleAtlas], in turn, have obtained some of this
>>>>> data from national mapping agencies (such as the Ordnance Survey).
>>>>> Since they've made significant financial investments to gather this
>>>>> data, these organisations are understandably protective of their
>>>>> copyright. If you collect data from Google Maps in this way, you are
>>>>> creating a "derived work". Any such data retains the copyright
>>>>> conditions of the original. In practice, this means your data is
>>>>> subject to the licensing fees, and contractual restrictions, of these
>>>>> map providers. That's exactly what OpenStreetMap is trying to avoid."
>>>>>
>>>>> Ou seja: legalmente, o mapa não pode ser usado para absolutamente
>>>>> nada. Talvez você possa tirar uma dúvida ou outra, mas não pode sair
>>>>> copiando o nome de todas ruas, ou a sua classificação, ou o nome dos
>>>>> bairros, das praças. As imagens de satélite também não podem ser
>>>>> usadas para traçar o mapa do OSM. Já o Google Street View até pode ser
>>>>> usado para "lembrar algum detalhe de um lugar por onde você passou", o
>>>>> que é bastante subjetivo, então é bom ter cuidado:
>>>>>
>>>>> https://help.openstreetmap.org/questions/710/can-i-use-google-streetview-to-help-create-maps
>>>>>
>>>>> Sem dúvida alguma, tudo que contiver a tag source=Google será mais
>>>>> cedo ou mais tarde removido do mapa. E tudo que é removido legalmente
>>>>> acaba removendo também os changesets subsequentes, podendo jogar fora
>>>>> o trabalho de (talvez muitas) outras pessoas.
>>>>>
>>>>> Quanto à classificação das vias, acho que as definições no wiki são um
>>>>> tanto ambíguas. Eu comecei a pensar sobre isso comparando com outros
>>>>> países
>>>>> (http://wiki.openstreetmap.org/wiki/Highway:International_equivalence),
>>>>> e depois de considerar o tipo de acesso típico a cada via
>>>>>
>>>>> (http://wiki.openstreetmap.org/wiki/OSM_tags_for_routing/Access-Restrictions),
>>>>> de olhar o mapa de outras cidades (especialmente Rio de Janeiro, que é
>>>>> a cidade mais bem mapeada no Brasil no OSM), acabei propondo o
>>>>> seguinte método há algum tempo atrás:
>>>>>
>>>>> http://wiki.openstreetmap.org/wiki/Pt-br:How_to_map_a#Categoriza.C3.A7.C3.A3o_de_vias_.28outra_sugest.C3.A3o.29
>>>>>
>>>>> Apliquei isso em Porto Alegre (onde eu moro), especialmente para
>>>>> decidir o que é primária (estava tudo errado) e o que é terciária
>>>>> (faltava essa classificação em toda a cidade).
>>>>>
>>>>> A proposta não é muito diferente do que o wiki diz hoje (em inglês ou
>>>>> em português) ou do que o Gerard propôs, mas acho que há menos espaço
>>>>> para confusão. Ainda preciso atualizar o texto com a distinção entre
>>>>> "highway=living_street" e "service=alley" (nosso conceito brasileiro
>>>>> de "beco" não é exatamente o mesmo descrito no wiki, que parece mais
>>>>> com o de "alamedas" e cuja característica principal é o "acesso a
>>>>> serviços") e a distinção entre footway, pedetrian e path, e entre path
>>>>> e track (discussões recentes na comunidade internacional).
>>>>>
>>>>> Uma prévia pouco estruturada: footway (literalmente, "via para passar
>>>>> à pé"), muitos defendem, geralmente é um caminho estreito pavimentado
>>>>> e urbano; pedestrian é um caminho largo que muito provavelmente foi
>>>>> aberto a veículos um dia e depois fechado para uso exclusivo por
>>>>> pedestres (ex.: as ruas recentemente convertidas para o turismo no
>>>>> centro de Paris); path (literalmente, "caminho") é o oposto:
>>>>> geralmente não pavimentado e em meio rural, ou numa área verde (como
>>>>> um grande parque no meio da cidade). Path não costuma ser usado para
>>>>> caminhos usáveis por veículos motorizados, para os quais o ideal é
>>>>> usar track (literalmente "trilha"). Essas traduções são similares, e
>>>>> as pessoas chamam de "trilha" algumas coisas que são path e de
>>>>> "caminho" algumas coisas que são track, até mesmo em inglês, e para
>>>>> aumentar a confusão todos os caminhos podem ser combinados com tags de
>>>>> acesso (foot=yes/no, motor_vehicle=yes/no) e de superfície
>>>>> (surface=sand, surface=asphalt). Os perfis do JOSM sugerem que paths
>>>>> normalmente são usados para fazer "hiking" (normalmente traduzido como
>>>>> "trilha" !!, talvez pela semelhança com "trekking"), enquanto que
>>>>> tracks podem ser usados para "hiking" e também "mountain biking".
>>>>>
>>>>> Nada além da subjetividade impede que se use "path" para mountain
>>>>> biking, ou "track" para um caminho estreito para pedestres no meio da
>>>>> cidade, mas alguns sistemas de roteamento (como o OSRM) consideram que
>>>>> track é usável por carros. Ou seja, a escolha é livre, mas há
>>>>> consequências, particularmente para o planejamento de rotas (para
>>>>> carros, para pedestres, para ciclistas, para cadeirantes, etc.), e
>>>>> também para a compreensão visual do mapa.
>>>>>
>>>>> Sei que serei um pouco criticado (pois a comunidade defende que não é
>>>>> certo mapear pensando no aspecto visual do mapa), mas talvez ajude
>>>>> pensar no estilo visual default do Mapnik como indicador da intenção
>>>>> de cada coisa. O Mapnik parece ter sido feito para essa descrição
>>>>> "prévia": tracks, normalmente não pavimentadas, são desenhadas como
>>>>> uma linha marrom, sólida e de espessura média (menos que outras ruas,
>>>>> mais do que footway e path). Pedestrian é larga como uma rua, mas é
>>>>> cinza. Living street também é larga, mas é mais escura, sugerindo que
>>>>> é mais difícil passar. Já footway é vermelha, fina e pontilhada,
>>>>> chamando a atenção num fundo complexo como o de uma cidade, e path é
>>>>> fina e tracejada, mais compatível com o fundo verde e pouco complexo
>>>>> de ambientes rurais.
>>>>>
>>>>> 2013/5/16 Vítor Rodrigo Dias <vitor.dias em gmail.com>
>>>>> >
>>>>> > Entendido! Vou procurar usar melhor os changesets e explicitar que se
>>>>> > tratam, pelo menos os mais recentes, de edições nas LMG-xxx. E passarei a
>>>>> > usar outras fontes que não o Google. Obrigado pelos toques!
>>>>> >
>>>>> > Abraços,
>>>>> > Vítor
>>>>> >
>>>>> >
>>>>> > Vítor Rodrigo Dias
>>>>> > Revisor de textos
>>>>> > Tradutor port/ing/port e port/esp/port
>>>>> > Telefone: (31) 9895-3975 - TIM
>>>>> >
>>>>> >
>>>>> > Em 16 de maio de 2013 17:16, Gerald Weber <gweberbh em gmail.com>
>>>>> > escreveu:
>>>>> >>
>>>>> >> Oi Vitor
>>>>> >>
>>>>> >> 2013/5/16 Vítor Rodrigo Dias <vitor.dias em gmail.com>
>>>>> >>>
>>>>> >>> Sim, sim, já descobri inúmeros erros de nomes e referências no
>>>>> >>> Google! Apesar disso, ainda é uma fonte razoavelmente boa para se seguir em
>>>>> >>> relação aos trajetos das estradas.
>>>>> >>
>>>>> >>
>>>>> >> Nós não temos autorização para usar o Google. Por isto evite.
>>>>> >>
>>>>> >>>
>>>>> >>>
>>>>> >>> Tenho colocado source=DER-MG em combinação com tudo o que eu tenho
>>>>> >>> usado pra definir aquela estrada.
>>>>> >>>
>>>>> >>> As referências que tenho usado em minhas edições - já coloquei
>>>>> >>> todas as AMG e estou no meio do caminho das LMG é o seguinte:
>>>>> >>>
>>>>> >>> MG-xxx: se pavimentada, primary; se não, tertiary.
>>>>> >>> LMG-xxx e AMG-xxx: se pavimentadas, secondary; se não, tertiary.
>>>>> >>
>>>>> >>
>>>>> >> Parece razoável, mas só dá para bater o martelo se fizer a vistoria
>>>>> >> (survey) do trecho.
>>>>> >>
>>>>> >>>
>>>>> >>> A posteriori poderei voltar e tentar fazer uma revisão mais precisa
>>>>> >>> a partir de suas orientações.
>>>>> >>>
>>>>> >>
>>>>> >> por enquanto é somente uma proposta.
>>>>> >>
>>>>> >> E por favor procure ser mais explícito quando for trocar as
>>>>> >> classificações, eu vi seus changesets (por exemplo
>>>>> >> http://www.openstreetmap.org/browse/changeset/16155591) não trazem uma
>>>>> >> explicação do que foi feito.
>>>>> >>
>>>>> >> Isto é importante pois quem vem depois de você pode ter uma idéia
>>>>> >> diferente e trocar tudo de novo . Então é essencial colocar o comment mais
>>>>> >> descritivo, usar source= e usar note= (ou note:pt se for em português).
>>>>> >>
>>>>> >> um grande abraço
>>>>> >>
>>>>> >> Gerald
>>>>> >>
>>>>> >>
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