[Talk-br] OSM e TrackSource

Pedro Geaquinto pedrodigea em gmail.com
Terça Setembro 17 12:02:48 UTC 2013


Pessoal, percebi que aquele padrão com "Rua" para nomes de ruas apareceu em
Casimiro de Abreu - RJ.

Esse é o changeset: http://www.openstreetmap.org/browse/changeset/16303429
Desculpem-me por não ter percebido antes.


2013/8/23 Wille <wille em wille.blog.br>

>  Não vejo o fato de o cadastro no OSM ser tão desburocratizado como um
> grande problema. É bom lembrar que a wikipédia, apesar de ter várias
> ferramentas de moderação, permite que se edite uma página sem nem fazer o
> login.
>
> Acho interessante que uma pessoa possa fazer um cadastro rápido e
> acrescentar o nome da rua onde mora ou meia dúzia de POIs que ela conheça
> ou até corrigir alguma informação errada. São pequenas colaborações, mas
> que, multiplicado por um grande número de usuários, podem fazer a diferença
> e chegar em lugares que talvez nenhum mapeador experiente chegaria. O que a
> gente precisa é que os softwares de edição sejam mais inteligentes e tenham
> uma validação mais rígida para não permitir certos erros.
>
> O ônus de poder contar com a colaboração de qualquer pessoa, é que a gente
> tenha que investir um certo tempo corrigindo os erros dos novos
> contribuidores. É assim para o OSM, para a Wikipédia, para projetos de
> software livre ou qualquer outra atividade colaborativa.
>
>
> On 23-08-2013 19:00, Vitor George wrote:
>
> Oi Gerald,
>
>  Meus comentários abaixo.
>
> 2013/8/23 Gerald Weber <gweberbh em gmail.com>
>
>>
>>
>>>  Para se abrir uma empresa no Brasil, por exemplo, são exigidos vários
>>> documentos e procedimentos, o que toma muito tempo (e dinheiro). Esta
>>> burocracia, criada na maior das boas intenções, no final das contas não
>>> garante que as empresas vão agir dentro da lei, pelo contrário, e acaba-se
>>> gerando uma ineficiência econômica.
>>>
>>>  Já em países desenvolvidos é fácil você abrir uma empresa. Em questão
>>> de dias você pode fazê-lo, mas estará em sérios problemas se sua empresa
>>> for pega cometendo uma irregularidade. Muito diferente do que em nosso país.
>>>
>>
>>  Olha, desculpa, mas não vou embarcar nesta conversa de "em países
>> desenvolvidos" tudo é mais fácil. Trabalhei por muitos anos no exterior,
>> sei que não é assim. Algumas coisas são, outras não.
>>
>
>  Eu não disse que tudo é mais fácil em países desenvolvidos. O que eu
> disse que há menos burocracia no exemplo que dei.
>
>
>>
>>
>>>  A filosofia do OpenStreetMap segue a mesma linha anti-burocrática.
>>> Qualquer um pode editar, bastando uma conta de e-mail e a concordânciacom os Termos do Contribuidor (
>>> Contributor Terms). Mas se um usuário for pego fazendo edições nocivas,
>>> poderá sofrer sanções e até ser banido do projeto. Veja a lista dos
>>> usuários nesta situação:
>>>
>>>  http://www.openstreetmap.org/user_blocks
>>>
>>
>>  Me desculpe, mas as sanções que o usuário sofre são ridículas. É
>> bloqueado até que leia a mensagem (em inglês). Uau, que medo. Veja o caso o
>> Matheus Eduardo. E se for bloqueado? É só abrir outra conta no dia
>> seguinte. A lista: só isto de contas bloqueadas? Tem 1.3 milhões de
>> usuários no OSM!!
>>
>
>  Eu monitoro todas as edições do Matheus Eduardo e de outros
> automaticamente pelo feed da página de usuários, e até agora não percebi
> novos problemas. O banimento do projeto me parece suficiente. Se o usuário
> abrir uma conta no dia seguinte, ele vai provavelmente ser pego novamente.
> Pode ser virar um jogo de gato e rato, mas uma hora um dos dois vai cansar,
> e eu acho que vai ser o infrator. Enfim, nenhum sistema é a prova de falhas.
>
>  O OSM tem esse número que você falou de usuários registrados, mas no
> Brasil deve ter uns quatro mil colaboradores que editaram o mapa. Não é
> tanta gente assim pra monitorar.
>
>
>
>>>  Não é nada difícil identificar padrões de vandalismo, uso de dados com
>>> copyright e outras edições nocivas. Quando um usuário manda uma cidade
>>> inteira para dentro do OpenStreetMap, é bastante fácil perceber. Talvez
>>> não se perceba no mesmo momento que o usuário fez, como foi o caso do
>>> Erick, mas sempre é possível voltar atrás nas edições. Todos os casos
>>> de edições nocivas que você citou podem ser revertidas sem nenhum
>>> problema ao serem identificadas.
>>>
>>
>>
>>  Pode não ser nada difícil, mas também não é nada fácil. Se a gente
>> recebesse alertas de que dados nossos foram apagados já seria um grande
>> avanço. A gente poderia por exemplo estabelecer no perfil que sempre que
>> mais que X nós forem apagados ou alterados a gente recebesse um email. Sei
>> lá algo, do gênero. Isto é algo que tem que vir de dentro do sistema do
>> OSM, não pode ser um script maluco no whodidit ou coisas do gênero.
>>
>
>  Uma ferramenta que é bastante fácil de usar é o OSM Mapper da ITO:
>
>  http://www.itoworld.com/static/openstreetmap_tools/osm_mapper.html
>
>  Basta selecionar a região que vc quer monitorar e ele gerará um feed e
> visualizações das edições. Aí já dá para pegar bastante coisa
> inconveniente. Recomendo muito esta ferramenta.
>
>
>>
>>>
>>>  A gente reclama tanto sobre a cultura burocrática do nosso país, mas
>>> quando nos é oferecida a liberdade, parece que não sabemos o que fazer. Por
>>> isso precisamos ficar bastante atentos a possíveis desvios. Estou
>>> percebendo que está chegando bastante do Tracksource, e acho importante
>>> que trabalhemos para que estas pessoas assimilem a cultura do
>>> OpenStreetMap e ajudem a construir o melhor mapa do mundo.
>>>
>>>
>>>
>>  Na verdade nosso pais não é burocrático, é desorganizado. A burocracia
>> é consequência inevitável desta desorganização.
>>
>>  Agora no OSM a parte das licenças é burocrática e cheia de dedos. Não
>> pode isto, não pode aquilo. Se quiser fazer não-sei-o-que tem que conversar
>> com a comunidade X depois com a lista Y e depois com Z. Em algum lugar
>> temos um conflito de culturas, não temos?
>>
>>  Tem hora que confesso que me dá uma pontinha de inveja do TrackSource.
>> Eles não estão nem aí, usam o Google e nem disfarçam, enfim fazem o que
>> querem. E sabe o que vai acontecer? Nada. Absolutamente nada. E nenhum
>> maluco entra na base deles de um dia para outro e sai mexendo nas coisas.
>> Não me entenda mal, eu sou contra copiar se a gente não tem autorização,
>> por isto sou Linux-only há 13 anos, e por isto decidi não participar do
>> Tracksource. Mas eles sim é que não tem qualquer burocracia, e olha que são
>> um projeto brasileiro. E do ponto de vista de mapa o deles dá de 10 a 0 no
>> nosso OSM/Brasil.
>>
>
>  Até onde sei, no Tracksource você tem que cumprir requisitos para pode
> editar uma área, ser autorizado pelo DM, etc. Me parece bastante
> burocrático. O mapa deles pode ser bom, mas a sua aplicação é bastante
> limitada pela questão da licença e do copyright. Se um dia o Google
> resolver fazer um pente-fino no mapa deles, não sei se sobra muita coisa.
>
>
>
>>
>>  Da minha parte não estou propondo burocracia nenhuma. Apenas estou
>> apontando que há duas componentes mutuamente exclusivas. De um lado querer
>> um purismo absoluto com a origem dos dados (não pode nem olhar de longe pro
>> Google), e do outro aceitar 1 milhão de usuários anônimos fazendo o que bem
>> entendem com da base. Isto não tem como funcionar.
>>
>
>  Eu entendo que você não está propondo burocracia, Gerald. Só não
> gostaria mais ouvir a palavra Google nesta lista de discussão. :)
>
>  A gente pode até ser mais flexível com dados do governo, que deveriam
> ser de domínio público por padrão, mas qualquer coisa do Google está fora
> de questão. E esse é o maior risco de cópia, porque é extremamente fácil de
> fazer, e o Google ainda é mais completo na maioria cidades.
>
>  Você é uma pessoa que faz edições da sua localidade, envia tracks de
> GPS, é preocupado. Mas existem usuários que só querem saber de mapear da
> cadeira e vão copiar na primeira chance. Não podemos passar a imagem de que
> vamos ser condizentes com isso.
>
>
>
>>   No meu entender o maior problema que afeta o OSM hoje é a
>> confiabilidade dos dados. Não vejo como obter esta confiabilidade com uma
>> base de usuários anônimos-de-poderes-ilimitados. Sempre que eu viajo eu
>> levo uma cópia do mapa do Brasil no Osmand. Toda vez encontro partes que eu
>> mesmo mapeei mexidas e alteradas, muitas vezes erradas. Daí entro em
>> contato com o usuário que alterou e raras vezes recebo alguma resposta.
>>
>>  Olha isto cansa. Cansa e desanima. Eu gostaria que o OSM desse tanta
>> importância à proteção dos dados já existentes, de usuários identificados,
>> honestos e tecnicamente capazes como dá importância a preservar a
>> identidade de usuários anônimos e se importar com firulas inatigíveis de
>> licenças.
>>
>>  O que eu penso que precisa acontecer seria o seguinte:
>>
>>  1) O usuário cadastra, e ao menos teria de fornecer um nome real e um
>> endereço de correspondência. Isto não é burocracia, é o mínimo do mínimo do
>> mínimo de controle. Eu também não teria nada contra um sistema de endosso
>> como tem no Arxiv, é simples e eficaz.
>>
>>  2) O usuário é automaticamente cadastrado numa das listas de discussão
>> (não entendo porque já não é assim), boa parte dos problemas são de
>> usuários que não se comunicam com a gente.
>>
>>  3) O usuário começa com poderes limitados para editar. Por exemplo não
>> pode apagar dados por algum tempo, não pode submeter um changelog com um
>> conjunto grande de dados (para evitar importações problemáticas) enfim
>> coisas do gênero. Isto seria até para a proteção do próprio usuário novato
>> (e bem intecionado) que se sentiria mais seguro para fazer edições sabendo
>> que não vai causar estragos por desconhecimento.
>>
>>  4) Estabelecer uma lista de tags source, e obrigar a escolher uma
>> delas. Ou seja, deveria ser *impossível* salvar qualquer dado sem
>> source. Se nenhuma das opções pré-existentes atende, abre-se a discussão e
>> registra-se novas opções de origem de dados. Imagine o seguinte: chega o
>> usuário novo e pega uma coisa do Google e tenta colocar na base, aí ele é
>> obrigado a escolher uma source pré-definida e não aparece "Google", no
>> mínimo vai desconfiar, não vai? Quantos usuários já colocaram dados do
>> Google na melhor das intenções, até colocam source=Google?
>>
>>  Ou seja, ou é isto, ou então se aceita que a base de dados do OSM será
>> uma eterna colcha de retalhos de dados que vieram sabe-se lá de onde, e
>> aceita-se que os dados do OSM não são confiáveis já que em qualquer momento
>> alguém pode vir e apagar uma relação crucial ou apagar ou introduzir dados
>> falsos.
>>
>>  É uma questão que o OSM vai ter que tratar se quiser sobreviver e não
>> cair na irrelevância. A wikipedia custou mas teve de fazer isto e não vejo
>> como nós podemos continuar sendo cegos para o problema.
>>
>>
>  Concordo plenamente que temos que melhorar a qualidade dos dados.
>
>  As suas sugestões são boas, mas aí eu acho que teria que ser discutido
> na lista geral do OSM.
>
>  Localmente, acho que o caminho é desenvolver mais ferramentas de
> melhoria de qualidade, como aquela que calculava conexões. Faz tempo que
> não publico, mas posso voltar a fazer se quiserem. Aqui na lista está cheio
> de programador, seria bom se existissem mais script, sites, apps que ajudem
> a melhorar o mapa no Brasil.
>
>  Abraço,
> Vitor
>
>
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