[Talk-br] Classificação de rodovias no Brasil

Fernando Trebien fernando.trebien em gmail.com
Quarta Abril 15 16:37:23 UTC 2015


Eu concordo que devemos manter a recomendação atual por pelo menos
mais 1 ano, mas não acho que devemos nos privar de discutir o que
seria o mundo "ideal" - aquele em que as ferramentas fazem tudo aquilo
que nós, mapeadores e usuários do mapa no dia-a-dia, queremos que elas
façam. Até porque isso poderia dar origem a uma recomendação de uma
etiqueta do tipo future_highway=* onde colocaríamos a classificação da
via num "futuro próximo".

Vou lançar ideias, que não tive tempo de melhorar porque não consegui
ainda os planos diretores da maioria das capitais.

Se nós mapeássemos algumas vias não-pavimentadas como trunk em certas
situações, mas elas fossem desenhadas de outra forma no mapa e os
roteadores as evitassem por não serem pavimentadas, estaríamos nos
preocupando com a sua classificação elevada? Preferiríamos atribuir a
elas sua importância simbólica/futura/pretendida pelo governo ou ficar
com a sua importância atual?

O melhor caminho entre São Paulo e Georgetown, na Guiana, é por uma
sequência de BRs (262, 163, 364, 319, 174 e 401) ligando algumas
capitais (Campo Grande, Cuiabá, Porto Velho, Manaus, Boa Vista). Não
deveriam essas vias aparecer no mapa no nível 5, quando se vê o país
inteiro de uma vez só, mesmo que não fossem pavimentadas? (na verdade
elas são, mas poderiam não ser) Em outros países vizinhos e mesmo na
África, vias trunk aparecem nesse nível e conectam cidades que são bem
menos importantes, mesmo sob uma ótica regional. "Mas a ferramenta tem
que saber o que desenhar"... é factível exigir isso, ou seria uma
análise complexa demais para a ferramenta?

A quais das seguintes características a noção de "importância" está
mais atrelada então?
1. Número de pessoas que usam a via
2. Capacidade/qualidade da via (quase sempre, mas nem sempre,
relacionada à anterior)
3. Número de pessoas que poderiam vir a usar a via = número de pessoas
nas localidades que a via conecta
4. Quão ricas essas pessoas são, ou quão forte é a economia na área
(importante descartarmos isso como critério ao discutir a
classificação urbana, se é que concordamos em descartá-lo)
5. Se o local tem valor histórico ou não, mesmo que seja afastado
(ex.: ruínas no meio da floresta)
6. [escreva sua noção aqui]

Acho o critério 3 interessante, especialmente para estabelecer uma
similaridade de "importância" entre "povoado" (place=village) e bairro
(place=suburb), ambos tipicamente têm o mesmo número de pessoas e,
segundo mais de um sistema de classificação por aí, implicariam que
suas principais vias de acesso são highway=secondary. Se você subir
para o nível municipal, você teria highway=primary como as conexões
entre as cidades grandes (place=town/city). Dentro das cidades, as
primárias seriam as continuações dessas conexões até o seu núcleo.
Onde fica o núcleo seria discutível, na maioria dos casos é quase
óbvio (geralmente uma avenida principal que se liga às rodovias na
entrada da cidade, ou um grande entroncamento numa cidade grande), em
outros não. Talvez as cidades possam ter mais de um núcleo - seria
interessante discutir isso. Mas o mais legal dessa abordagem é que ela
não pressupõe uma diferença entre meio urbano e meio rural, nem mesmo
as condições das vias, apenas a localização dos núcleos populacionais
e os principais caminhos entre eles.

2015-04-15 12:52 GMT-03:00 Nelson A. de Oliveira <naoliv em gmail.com>:
> 2015-04-15 12:30 GMT-03:00 Fernando Trebien <fernando.trebien em gmail.com>:
>> Da última vez, concordamos em
>> rebaixar a classificação quando a estrutura for precária, mas não
>> parece ser esse o caminho seguido pelas outras comunidades pelo mundo.
>
> Talvez os outros países não tenham tanta diversidade quanto aqui.
> Temos estradas ótimas e estradas péssimas.
> Utilizar critério de "importância" (que é bem subjetivo) vai igualar
> estrada boa com estrada ruim; critério de administração da via
> (federal, estadual, municipal) vai, novamente, igualar rodovias boas
> com ruins.
>
> Da forma que vejo utilizar características físicas (que é o acordo de
> cavalheiros a que chegamos anteriormente) é o que melhor encaixa no
> Brasil, tanto é que o DNIT usa esse critério em seus mapas, assim como
> os mapas comerciais.
> Mesmo não tendo legenda, conseguimos identificar no Google Maps, Bing,
> Here, etc o que é uma via que oferece melhores condições de trafegar.
> Reparem que locais que são mapeados com a nossa convenção atual ficam
> muito próximos do DNIT e dos mapas comerciais.
>
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