[Talk-br] Estamos vivenciando uma experiência meritocrática?

Alexandre Magno Brito de Medeiros alexandre.mbm em gmail.com
Sexta Dezembro 25 23:22:28 UTC 2015


*Era:"Re: [Talk-br] Lacuna no mapa - SC"*

Gerald,

Entendo que o Paulo nos pediu para olharmos com analogia o processo de *merge
request* que dar-se em processos de desenvolvimento de software.
Obviamente, não devemos esperar que os muitos mapeadores OpenStreetMap se
adaptem a algo que tenha aparência com git + XML. Se não me engano, já
existe gente lá fora, em projeto GSoC, trabalhando sistema web de monitoria
e fiscalização para o OSM.

Então vem a sua questão (em minhas palavras, permita-me):

— Mas quem teria o poder nas mãos, para operar tais sistemas?

Ingenuamente, até poucos dias atrás, *eu só pensava na necessidade de
politização e legislação* dentro do projeto. Mas o Peter Krauss tem me
mostrado que um sistema com princípios de qualificação pessoal "como"
aqueles do StackOverflow pode ser de grande ajuda, para instituirmos (sem
tirania) construção ou reconhecimento de autoridades na comunidade.

Referência: Estamos vivenciando uma experiência meritocrática?
<http://meta.pt.stackoverflow.com/questions/1825/estamos-vivenciando-uma-experi%C3%AAncia-meritocr%C3%A1tica>

Com "princípios sociais" de "qualificação pessoal" como aqueles, as pessoas
(cada um de nós) poderiam conquistar as autoridades necessárias para
exercer os mais variados poderes dentro OSM.

Na minha opinião, para início, o correto seria integrar uma *"máquina de
computação de reputação*" a toda ferramenta de colaboração do projeto:

   - site principal (base de dados)
   - wiki
   - fórum
   - históricos das listas
   - etc.

Toda colaboração teria de virtualmente servir para computar a reputação de
alguém., baseando-se em critérios sociais do tipo: "gostei", "eu sigo",
"isso está correto ou funcionou pra mim".

Quem entendeu? Parece ser a única saída... para não impor nada.

"O povo OSM decidiria quem nele teria poder, e quais poderes."

Alexandre Magno

Em 25 de dezembro de 2015 19:14, Gerald Weber <gweberbh em gmail.com> escreveu:

> Oi Paulo,
>
> interessantes as suas colocações, mas tenho algumas observações a fazer
>
> 2015-12-25 14:37 GMT-02:00 Paulo Carvalho <paulo.r.m.carvalho em gmail.com>:
>
>> A coisa é muito simples e funciona.  Darei dois exemplos de sucesso já
>> comprovado: software open-source e publicações científicas.
>>
>
> Nenhum dos dois modelos involve leigos, mas pessoas altamente
> especializadas. Ninguém contribui num projeto de software sem ao menos um
> domínio básico das linguagens envolvidas. Ninguém publica em revistas
> científicas sem muitos anos de especialização. Outro ponto é que o número
> de pessoas envolvido num projeto de software é bastante restrito, assim
> como o número de pessoas que estão envolvidas numa publicação caberiam numa
> sala (exceto nas colaborações de física de partículas, exemplo LHC).
>
> Já o modelo do OSM envolve uma variedade de pessoas muito grandes, desde
> especialistas em GIS até leigos totais em cartografia (como eu por
> exemplo). Também o número de pessoas envolvido aqui é bem maior do que em
> qualquer projeto de software típico.
>
>
>> Ambos os processos são pautados no princípio do terceiro confiável.  O
>> OSM não aplica esse princípio, ou seja assume que uma das partes (no caso
>> os usuários) é confiável, e o resultado são as frustrações e as
>> consequentes perdas de tempo consertando que vemos com frequência.
>> Conclusão: o modelo de colaboração do OSM é ineficiente.  A solução para
>> essa ineficiência está aí.  Não fazem porque não querem.
>>
>
> Não sei como se poderia operacionalizar um modelo de validação eficiente
> no OSM diante de um público tão heterogêneo. Qualquer que seja a solução
> ela envolve gente para operacionalizar isto. A lógica dominante no OSM é
> que tendo uma massa grande de mapeadores qualquer problema seja rapidamente
> solucionado. O nosso problema aqui na América do Sul é que não temos essa
> massa de gente e por isto a lógica que funciona na Europa não funciona para
> nós.
>
>
>>
>> Os mapas do OSM existem em forma de XML, o que seria perfeito de se
>> sujeitar a um sistema de versionamento moderno como o Git e o Mercurial.
>>
>> O ser humano é falho, seja por má intenção ou por descuido.  O peer
>> review e o merge request são mecanismos criados para justamente impedir
>> tais falhas de contaminem os respectivos produtos de forma que o reparo
>> seja muito custoso ou que traga consequências ruins.
>>
>>
> Bom, eu trabalho com peer review diariamente e posso te contar cada
> história, mas isto é outra conversa ;)
>
> Agora, como o atual sistema funciona bem na Europa, eu percebo uma
> resistência muito grande em introduzir qualquer mecanismo que possa ser
> visto como uma barreira. A recente tentativa do Arlindo de solicitar um
> simples aviso no Id é bem emblemático disto, os desenvolvedores do Id nem
> deram papo e fecharam a requisição horas depois.
>
> Mas uma idéia que eu acho que podemos emprestar da área de software é
> trabalhar com versões beta e versões estáveis da base. Por exemplo, fazemos
> uma cópia local da base do OSM (digamos só do Brasil) da qual temos
> razoável confiança de não ter nenhum problema maior e declaramos ela como
> versão estável. A partir desta versão poderíamos produzir um índice de
> qualidade calculado a partir de validações e testes. A versão estável só
> seria substituída periódicamente por uma versão com índice de qualidade
> maior, ou algo do gênero. A gente só usaria a versão estável para gerar
> mapas para dispositivos ou quaisquer outros fins. A gente poderia até
> eliminar localmente os changesets duvidoso da base estável, da mesma
> maneira como bugs são corrigidos em versões estáveis de software. Bom, é só
> uma idéia que precisa de amadurecer, mas se a gente conseguir por algo
> assim para funcionar eu acho que a gente poderia conseguir a aceitação
> disto de muita gente por aí que depende de maneira crítica da base.
>
> abraço
>
> Gerald
>
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