[Talk-br] RES: A boa vontade embutida no OpenStreetMap não pode tudo

Reinaldo Neves rneves em equacao.com.br
Segunda Junho 8 22:31:44 UTC 2015


Muito bem colocado Alexandre,  não nos cabe discutir os senões do Correio ou qualquer outra organização publica ou privada, temos trabalhar o OSM dentro da lei.

 

Também acho que ter o CEP a possibilidade de usar o DNE no inico é útil e qualquer retrabalho num futuro próximo ou não para esse processamento é um problema, de tempo, custo, maquina e por ai afora, mas é nossa realidade.

 

Abraços

___________________________

Reinaldo Neves

Equação Informática

(11) 3221-3722

 

 

De: Alexandre Magno Brito de Medeiros [mailto:alexandre.mbm em gmail.com] 
Enviada em: segunda-feira, 8 de junho de 2015 19:10
Para: OpenStreetMap no Brasil
Assunto: [Talk-br] A boa vontade embutida no OpenStreetMap não pode tudo

 

Era: "Re: [Talk-br] Digest Talk-br, volume 81, assunto 7"

Olá a todos!

 

Meus comentários sobre alguns pontos trazidos pelo Ivaldo Nunes.

 

Toda a base de dados do DNE está disponível no busca CEP dos correios: http://www.bucacep.correios.com.br, onde é disponibilizado várias formas de consultas. Nisso a informação é publica, sem restrições de acesso.Não é muito complicado extrair relatórios lá, por bairros - por exemplo - enviar para o excel e depois csv, etc... Agora, as funcionalidades do sistema realmente são restritas à empresa.

 

Pode não haver restrição de acesso, mas certamente há restrição de uso, implícita, para vários tipos de uso. Alguém se meta a fazer essa "exportação", usar o resultado a seu bel prazer, e vejamos quanto tempo demora para a empresa "buscar seus direitos" na Justiça!

Realmente a seria muito bom que os correios tornasse público a base de dados do DNE via gratuidade da licença do sistema, mas para quê serviria isso? Bom, talvez para alguém ter algum nicho de trabalho facilitado, [...]

 

Só a partir de uma coisa dessas é que o OpenStreetMap poderia licitamente importar aqueles dados. Não estou opinando se a coisa toda está moralmente certa ou moralmente errada. Só estou dizendo que hoje o OpenStreetMap não tem o apoio da lei, evidenciado e indiscutível, para fazer uso daqueles dados de CEP que são disponibilizados pelo site dos Correios.

Desse modo, não vejo o CEP como um problema, mas uma prioridade menos importante, não urgente, frente ao nosso mapa atual: milhares de cidades nem aparecem. 

 

Ter o CEP desde o início é uma questão estratégica. Alguns podem achar que é imprescindível, para se aproveitar um grande primeiro esforço de mapeamento, que será quase o único. Outros podem achar que CEP é algo que pode ficar pra depois, a ser importado com automatizações ou grandes facilitações obtidas por software. Eu penso que os dois estilos são importantes e não deveriam se excluir mutuamente, já que o contexto é o projeto OpenStreetMap movido por voluntarismo, e não um empreendimento corporativo originado por $$.

Alexandre Magno

 

 

Em 8 de junho de 2015 18:24, Ivaldo Nunes de Magalhães <ivaldonm em gmail.com> escreveu:

Pessoal, relativamente aos tópicos DNE, CEP, ECT, e CNEFE, gostaria de fazer alguns comentários pois recentemente estive envolvido com processos ligados aos mesmos, tendo trabalhando com o DNE e ainda sendo analista da ECT - correios, mas não falo em nome da mesma, mais sim por convicção própria.

 

1. ECT/Empresa Pública: realmente os correios são uma empresa publica, mas ela é uma empresa e não um órgão público (como um posto de saúde ou escola), fazendo parte da administração indireta. Nesse ponto, possui vários sistemas corporativos cuja utilização é restrita à empresa, no caso o DNE. Por exemplo: o BB - Banco do Brasil, também tem seus sistemas, entre eles o SISBB. É complicado para eles divulgarem sua base de dados ao público.

 

Toda a base de dados do DNE está disponível no busca CEP dos correios: http://www.bucacep.correios.com.br, onde é disponibilizado várias formas de consultas. Nisso a informação é publica, sem restrições de acesso.Não é muito complicado extrair relatórios lá, por bairros - por exemplo - enviar para o excel e depois csv, etc... Agora, as funcionalidades do sistema realmente são restritas à empresa.

 

2. Não existe, ainda, georreferenciamento no CEP, pois ele não identifica um ponto (identificação num mapa de um cruzamento de latitude com longitude), mas sim uma linha/logradouro, no caso de a cidade ter CEP por logradouros.

 

3. O CNEFE (Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos) é outro ponto que deve ser visto com ressalvas. Veja que o próprio nome fiz:... para Fins Estatísticos. O que significa isso? Não é oficial.

 

Explico: embora o IBGE seja um órgão público, e portanto oficial, não significa que os endereços do CNEFE sejam oficiais. A única entidade com poder sobre os endereços são as prefeituras municipais, e as respectivas câmaras de vereadores. Porque isso? Qualquer loteamento, condomínio, bairro ou logradouro (rua, avenidas, etc) para existir dependem de decreto ou lei municipal. Sem isso, oficialmente não existe e não é reconhecida pelos órgão públicos.

 

Muitos dos endereços do CNEFE são coletados dos moradores nos censos. Quando a rua existe (fisicamente) ou não é oficial, o morador diz ao IBGE que mora na rua A, quando na verdade o nome correto da rua seria (ou será) B.

 

Exemplifico melhor, na prática: em meados de 2014 tivemos uma demanda para cadastrar mais de 250 logradouros de Formosa/GO existentes no CNEFE, mas que não tinham CEP. A primeira etapa foi consultar o mapa local, oficial, mais atualizado. Resultado: encontramos apenas 5 endereços, cuja grafia no mapa (a principio estava incorreta). Depois foi feito trabalho de campo na cidade, consultando os entregadores (carteiros) e prefeitura. Ao final, dos mais de 250 endereços, apenas 48 realmente existiam, sendo que mais de 25 estavam com nomes divergentes (prefeitura um, CNEFE outro).

 

Recentemente fim um mapeamento completo de uma cidade aqui do Mato Grosso do Sul, baseado no CNEFE e mapas do IBGE. Poucos dias depois obtive o mapa atualizado da prefeitura. Conclusão: mais de 85% dos endereços do CNEFE não existiam.

 

Não estou excluindo o CNEFE/Mapas IBGE como base, mas devem ser utilizadas se não existir nada oficial.

 

4. O que fazer então?

Realmente a seria muito bom que os correios tornasse público a base de dados do DNE via gratuidade da licença do sistema, mas para quê serviria isso? Bom, talvez para alguém ter algum nicho de trabalho facilitado, na validação de alguma coisa ou na inclusão dos CEPs de forma automática no OSM. Talvez algo mais. Sistemas são muito a minha área.

 

Vislumbro outras coisas mais úteis. O que?

O que é preciso para uma cidade ter CEP por logradouro?

Basicamente 3 coisas:

 - População = ou > que 50.000.

 - Mapa atualizado;

 - As informações do mapa (nome das ruas, bairros, limites) sejam oficiais (validados pela prefeitura).

 

Um exemplo

Minas Gerais tem mias de 30 cidades nessas condições, só falta o mapa. O que emperra o processo.

 

Entre 2013 e início de 2015 rodei bastante pelo DF e entorno. O DF está muito bem estruturado na atualização dos mapas, nas no entorno a situação é precária. Tem prefeitura que terceiriza os projetos de mapas por não ter pessoas capacitadas (sic) nessa área. Acredito que essa situação se repita pelo país.

 

Nesse ponto acredito que o OSM tem um papel fundamental: suprir essa lacuna de deficiência de pessoal capacitado, já que ("fazer mapas é fácil, basta querer") democratizou esse conhecimento com a disponibilização de suas ferramentas.

 

Desse modo, não vejo o CEP como um problema, mas uma prioridade menos importante, não urgente, frente ao nosso mapa atual: milhares de cidades nem aparecem. 

 

Outro ponto são as imagens muito desatualizadas do OSM. que dificulta o esforço criativo voluntário dos leigos, como eu.

 

Assim, acredito que o imediato seria focar em 2 frentes:

1- trabalhar fortemente com as prefeituras, no implemento das tecnologias do OSM para a produção de mapas inexistentes ou indisponíveis e atualização dos incompletos. Lembrando que a Terra é muito dinâmica, muda todo o dia. Por isso requer atualização constante.

 

2- implementação de imagens/camadas mais atualizadas no OSM. Talvez junto ao INPE, ou outra fonte. A imagem do google é muito superior à do OSM. Isso dificulta.

 

Para finalizar, a ECT pensa (ou já trabalha) com o OSM nas cidades com carência de mapa. A lógica é: pôxa, 70% do mapa da cidade está no OSM. Vamos incluir o resto e pedir que a prefeitura valide o mapa. Depois se importa para o QGis e pronto.

 

É isso, pessoal. A intenção foi colaborar de alguma forma e não se opor a ninguém. Abraços 




Ivaldo Nunes de Magalhães

E-mail: ivaldonm em gmail.com

Blog: makermaps.blogspot.com.br

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