[Talk-br] OSM e TrackSource

Gerald Weber gweberbh em gmail.com
Sexta Agosto 23 20:22:15 UTC 2013


Prezado Vitor

assim como você eu prezo a liberdade e a informalidade. Do contrário não
participaria do OSM.


2013/8/23 Vitor George <vitor.george em gmail.com>

>
>  Sobre a identificação dos usuários, não há descaso. O que há é que o
> OpenStreetMap tem uma cultura anti-burocrática, muito diferente do que
> estamos acostumados.
>

Discordo. O descontrole é completo, já que os usuário são anônimos.
Desculpa, mas cultura anti-burocrática é uma coisa, descontrole total é
outra.

Eu simplesmente não vejo como conciliar total controle dos dados com total
descontrole dos usuários.



> Para se abrir uma empresa no Brasil, por exemplo, são exigidos vários
> documentos e procedimentos, o que toma muito tempo (e dinheiro). Esta
> burocracia, criada na maior das boas intenções, no final das contas não
> garante que as empresas vão agir dentro da lei, pelo contrário, e acaba-se
> gerando uma ineficiência econômica.
>
> Já em países desenvolvidos é fácil você abrir uma empresa. Em questão de
> dias você pode fazê-lo, mas estará em sérios problemas se sua empresa for
> pega cometendo uma irregularidade. Muito diferente do que em nosso país.
>

Olha, desculpa, mas não vou embarcar nesta conversa de "em países
desenvolvidos" tudo é mais fácil. Trabalhei por muitos anos no exterior,
sei que não é assim. Algumas coisas são, outras não.


> A filosofia do OpenStreetMap segue a mesma linha anti-burocrática.
> Qualquer um pode editar, bastando uma conta de e-mail e a concordânciacom os Termos do Contribuidor (
> Contributor Terms). Mas se um usuário for pego fazendo edições nocivas,
> poderá sofrer sanções e até ser banido do projeto. Veja a lista dos
> usuários nesta situação:
>
> http://www.openstreetmap.org/user_blocks
>

Me desculpe, mas as sanções que o usuário sofre são ridículas. É bloqueado
até que leia a mensagem (em inglês). Uau, que medo. Veja o caso o Matheus
Eduardo. E se for bloqueado? É só abrir outra conta no dia seguinte. A
lista: só isto de contas bloqueadas? Tem 1.3 milhões de usuários no OSM!!


> Não é nada difícil identificar padrões de vandalismo, uso de dados com
> copyright e outras edições nocivas. Quando um usuário manda uma cidade
> inteira para dentro do OpenStreetMap, é bastante fácil perceber. Talvez
> não se perceba no mesmo momento que o usuário fez, como foi o caso do
> Erick, mas sempre é possível voltar atrás nas edições. Todos os casos de
> edições nocivas que você citou podem ser revertidas sem nenhum problema ao
> serem identificadas.
>


Pode não ser nada difícil, mas também não é nada fácil. Se a gente
recebesse alertas de que dados nossos foram apagados já seria um grande
avanço. A gente poderia por exemplo estabelecer no perfil que sempre que
mais que X nós forem apagados ou alterados a gente recebesse um email. Sei
lá algo, do gênero. Isto é algo que tem que vir de dentro do sistema do
OSM, não pode ser um script maluco no whodidit ou coisas do gênero.



>
> A gente reclama tanto sobre a cultura burocrática do nosso país, mas
> quando nos é oferecida a liberdade, parece que não sabemos o que fazer. Por
> isso precisamos ficar bastante atentos a possíveis desvios. Estou
> percebendo que está chegando bastante do Tracksource, e acho importante
> que trabalhemos para que estas pessoas assimilem a cultura do
> OpenStreetMap e ajudem a construir o melhor mapa do mundo.
>
>
>
Na verdade nosso pais não é burocrático, é desorganizado. A burocracia é
consequência inevitável desta desorganização.

Agora no OSM a parte das licenças é burocrática e cheia de dedos. Não pode
isto, não pode aquilo. Se quiser fazer não-sei-o-que tem que conversar com
a comunidade X depois com a lista Y e depois com Z. Em algum lugar temos um
conflito de culturas, não temos?

Tem hora que confesso que me dá uma pontinha de inveja do TrackSource. Eles
não estão nem aí, usam o Google e nem disfarçam, enfim fazem o que querem.
E sabe o que vai acontecer? Nada. Absolutamente nada. E nenhum maluco entra
na base deles de um dia para outro e sai mexendo nas coisas. Não me entenda
mal, eu sou contra copiar se a gente não tem autorização, por isto sou
Linux-only há 13 anos, e por isto decidi não participar do Tracksource. Mas
eles sim é que não tem qualquer burocracia, e olha que são um projeto
brasileiro. E do ponto de vista de mapa o deles dá de 10 a 0 no nosso
OSM/Brasil.

Da minha parte não estou propondo burocracia nenhuma. Apenas estou
apontando que há duas componentes mutuamente exclusivas. De um lado querer
um purismo absoluto com a origem dos dados (não pode nem olhar de longe pro
Google), e do outro aceitar 1 milhão de usuários anônimos fazendo o que bem
entendem com da base. Isto não tem como funcionar.

No meu entender o maior problema que afeta o OSM hoje é a confiabilidade
dos dados. Não vejo como obter esta confiabilidade com uma base de usuários
anônimos-de-poderes-ilimitados. Sempre que eu viajo eu levo uma cópia do
mapa do Brasil no Osmand. Toda vez encontro partes que eu mesmo mapeei
mexidas e alteradas, muitas vezes erradas. Daí entro em contato com o
usuário que alterou e raras vezes recebo alguma resposta.

Olha isto cansa. Cansa e desanima. Eu gostaria que o OSM desse tanta
importância à proteção dos dados já existentes, de usuários identificados,
honestos e tecnicamente capazes como dá importância a preservar a
identidade de usuários anônimos e se importar com firulas inatigíveis de
licenças.

O que eu penso que precisa acontecer seria o seguinte:

1) O usuário cadastra, e ao menos teria de fornecer um nome real e um
endereço de correspondência. Isto não é burocracia, é o mínimo do mínimo do
mínimo de controle. Eu também não teria nada contra um sistema de endosso
como tem no Arxiv, é simples e eficaz.

2) O usuário é automaticamente cadastrado numa das listas de discussão (não
entendo porque já não é assim), boa parte dos problemas são de usuários que
não se comunicam com a gente.

3) O usuário começa com poderes limitados para editar. Por exemplo não pode
apagar dados por algum tempo, não pode submeter um changelog com um
conjunto grande de dados (para evitar importações problemáticas) enfim
coisas do gênero. Isto seria até para a proteção do próprio usuário novato
(e bem intecionado) que se sentiria mais seguro para fazer edições sabendo
que não vai causar estragos por desconhecimento.

4) Estabelecer uma lista de tags source, e obrigar a escolher uma delas. Ou
seja, deveria ser *impossível* salvar qualquer dado sem source. Se nenhuma
das opções pré-existentes atende, abre-se a discussão e registra-se novas
opções de origem de dados. Imagine o seguinte: chega o usuário novo e pega
uma coisa do Google e tenta colocar na base, aí ele é obrigado a escolher
uma source pré-definida e não aparece "Google", no mínimo vai desconfiar,
não vai? Quantos usuários já colocaram dados do Google na melhor das
intenções, até colocam source=Google?

Ou seja, ou é isto, ou então se aceita que a base de dados do OSM será uma
eterna colcha de retalhos de dados que vieram sabe-se lá de onde, e
aceita-se que os dados do OSM não são confiáveis já que em qualquer momento
alguém pode vir e apagar uma relação crucial ou apagar ou introduzir dados
falsos.

É uma questão que o OSM vai ter que tratar se quiser sobreviver e não cair
na irrelevância. A wikipedia custou mas teve de fazer isto e não vejo como
nós podemos continuar sendo cegos para o problema.

abraços

Gerald
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