[Talk-br] OSM e TrackSource

Vitor George vitor.george em gmail.com
Sexta Agosto 23 17:10:28 UTC 2013


Oi Gerald,

Eu acho que não é paranóia o cuidado que estamos tomando. O OpenStreetMap,
em sua essência, é um projeto de dados abertos. Um dos nossos esforços como
comunidade é garantir que eles continuem sendo abertos. Aqui há uma
definição boa de dados abertos, que norteia a licença do OpenStreetMap,
vale a pena uma lida se não conhece:

http://opendefinition.org/okd/

Sobre a identificação dos usuários, não há descaso. O que há é que o
OpenStreetMap tem uma cultura anti-burocrática, muito diferente do que
estamos acostumados.

Para se abrir uma empresa no Brasil, por exemplo, são exigidos vários
documentos e procedimentos, o que toma muito tempo (e dinheiro). Esta
burocracia, criada na maior das boas intenções, no final das contas não
garante que as empresas vão agir dentro da lei, pelo contrário, e acaba-se
gerando uma ineficiência econômica.

Já em países desenvolvidos é fácil você abrir uma empresa. Em questão de
dias você pode fazê-lo, mas estará em sérios problemas se sua empresa for
pega cometendo uma irregularidade. Muito diferente do que em nosso país.

A filosofia do OpenStreetMap segue a mesma linha anti-burocrática. Qualquer
um pode editar, bastando uma conta de e-mail e a concordância com os Termos
do Contribuidor (Contributor Terms). Mas se um usuário for pego fazendo
edições nocivas, poderá sofrer sanções e até ser banido do projeto. Veja a
lista dos usuários nesta situação:

http://www.openstreetmap.org/user_blocks

Não é nada difícil identificar padrões de vandalismo, uso de dados com
copyright e outras edições nocivas. Quando um usuário manda uma cidade
inteira para dentro do OpenStreetMap, é bastante fácil perceber. Talvez não
se perceba no mesmo momento que o usuário fez, como foi o caso do Erick,
mas sempre é possível voltar atrás nas edições. Todos os casos de edições
nocivas que você citou podem ser revertidas sem nenhum problema ao serem
identificadas.

A gente reclama tanto sobre a cultura burocrática do nosso país, mas quando
nos é oferecida a liberdade, parece que não sabemos o que fazer. Por isso
precisamos ficar bastante atentos a possíveis desvios. Estou percebendo que
está chegando bastante do Tracksource, e acho importante que trabalhemos
para que estas pessoas assimilem a cultura do OpenStreetMap e ajudem a
construir o melhor mapa do mundo.

Vitor



2013/8/21 Gerald Weber <gweberbh em gmail.com>

> Olá a todos
>
> estou dando reply a esta mensagem do Nelson somente pela conveniência
> de manter o thread, nada específico com ele, OK? Digo isto porque vou
> expressar alguns pensamentos aqui que sei que vão provocar alguma
> reação.
>
> Esta discussão revela um certo nível de paranóia com a origem dos
> dados que é completamente contraditório com o completo descaso do OSM
> na identificação de novos usuários.
>
> Ou seja se formos ser ultra-restritos, somente aceitando dados cuja
> origem tenha sido registrada em cartório com assinatura reconhecida,
> então não podemos cadastrar novos usuários, virtualmente anônimos, e
> dar a eles poderes completamente irrestritos sobre a base de dados.
>
> Uma das duas coisas está exagerada e por isto estamos tendo estes
> problemas.
>
> Da maneira como está, é impossível saber a legitimidade de qualquer
> dado até porque os usuários são virtualmente anônimos. Pode-se
> registrar no OSM tendo um simples email, sem qualquer verificação de
> nome, endereço etc. Não sabemos sequer se um usuário é maior de idade
> e se pode responder legalmente pela origem dos dados que ele põe.
>
> Ou seja, foi dito que as edições do TrackSource não são rastreáveis,
> mas peraí, as edições do OSM também não são. Os usuários do OSM não
> são rastreáveis e todos os aplicativos (Potlatch, JOSM etc) deixam
> você colocar dados sem a tag source= na boa.
>
> Por isto não é sequer possível ser tão restrito assim com a origem dos
> dados. Temos de assumir que os dados foram geralmente coletados de boa
> fé. Eu penso que se um usuário coletou os dados mas deu uma
> "conferidinha" no Google ou no Bing isto não invalida os dados. O
> problema está no Crtl-C Crtl-V de algo que não é seu.
>
> No limite, se um usuário deu upload num tracklog de um aparelho GPS
> roubado, a gente pode usar o dado ou não? Afinal este tracklog não
> seria obtido ilegalmente também? E se o usuário é menor de idade e
> está incluindo os dados sem os pais saberem? Isto também é ilegal. E
> daí?
>
> O problema estão em dados que são idênticos à da fonte protegida, por
> exemplo se as coordenadas são idênticas até a última casa decimal e
> repetem até erros de ortografia.
>
> O que eu sei é que para mim não está claro onde está o limite da
> legitimidade e onde está a paranóia. Por exemplo, se eu coloco um dado
> como sendo source=survey, tenho que provar que eu estive de fato lá?
> Como?
>
> Agora que a completa permissividade em relação a usuários anônimos
> tinha que ter um freio isto para mim está muito claro.
>
> abraços a todos
>
> Gerald
>
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