[Talk-br] OSM e TrackSource

Fernando Trebien fernando.trebien em gmail.com
Sexta Agosto 23 21:35:20 UTC 2013


Falando em moderação/monitoração de alterações, acabei de descobrir
outro sistema para monitorar alterações:
http://owl.apis.dev.openstreetmap.org/

Ainda está em beta, mas é mais fácil de usar que o OSM History Viewer.

2013/8/23 Fernando Trebien <fernando.trebien em gmail.com>:
> Eu concordo com 97% do que disseste, Gerald, e com os outros 3% eu não
> tenho uma posição muito clara ainda.
>
> Acho - e creio que poderíamos solicitar à comunidade internacional -
> que aquele recurso do OSM History Viewer deva ser algo integrado na
> interface web do OSM. Ou seja, ao clicar num changeset, você precisa
> de uma forma gráfica de comparar o antes e o depois, que realce o que
> foi alterado. Era muito prático, quando estava no ar, e não está mais.
>
> Quanto ao TrackSource, também tenho uma certa inveja (no sentido de
> saber que "não vai dar em nada"), mas na verdade isso é algo que é
> impossível de prever. Eu disse esses dias que a gestão do Google pode
> mudar a qualquer momento, e provavelmente eles fariam uma caça às
> bruxas caso começassem a perder o mercado de mapas (caso o OSM fique
> mais popular, algo que tende a acontecer a longo prazo na minha
> opinião). Então, sim, rola uma inveja, mas o OSM veio pra ficar, e o
> TrackSource, bem (sem ofensas) mas estão com uma briga de egos nesse
> momento, tendo que lidar com uma administração meio linha-dura. Aqui
> no OSM eles podem mapear coisas que nunca sonharam em mapear no
> TrackSource (talvez não tenham interesse? ou talvez sim), mas a
> "liberdade" tem um custo.
>
> Concordo que os usuários não deveriam ser tão anônimos. A Wikipédia
> tem um sistema de moderação, e sei que o OSM na Alemanha (talvez
> também em outros países) tem o mesmo (mas não é integrado no sistema).
> Talvez devamos descobrir como eles fazem e nos organizar da mesma
> forma. Ainda assim, "moderação" é algo muito... complicado. Há casos
> de moderadores na Wikipédia que "moderam" demais, outros que "moderam"
> de menos. Temos que pensar em como estruturar esse sistema pra não
> ficar tão rígido quanto é no TrackSource (e acabar com as mesmas
> desavenças).
>
> A qualidade dos dados do OSM é, desde o princípio, a mesma qualidade
> que os dados da Wikipédia. Ou seja, sem garantias. Você confia que a
> maior parte das pessoas que se dispôs a editar tinham uma boa
> intenção. Você confia que elas produzirão um resultado bom se a
> ferramenta de edição for boa, se houver informação na internet (no
> wiki, por exemplo) que ajude a resolver as dúvidas, etc. (Foi por isso
> que eu parei a minha importação de rotas de ônibus em PoA, porque a
> tradução do iD é extremamente importante, tem impacto direto na
> qualidade do mapa. Existem até textos explicativos no iD que
> poderíamos modificar para dar instruções que valem aqui no Brasil, e
> talvez até instruções melhores que as originais em inglês.)
>
> Então sim, você confia que o OSM é uma colcha de retalhos, em que cada
> pedaço foi costurado por uma pessoa diferente. Nossa premissa é que as
> ferramentas melhorarão e as comunidades crescerão a ponto de se formar
> uma "cultura" que uniformize os problemas locais ao longo do tempo. É
> uma colcha de retalhos que, a cada dia que passa, parece mais e mais
> com uma colcha inteira.
>
> Poderíamos solicitar aos criadores do iD e do Potlatch que
> preenchessem a tag source com o texto "Bing" (ou "survey" se estiver
> importando de um tracklog). Talvez até o JOSM poderia preencher essa
> tag automaticamente em alguns casos. Agora "impossível" salvar os
> dados sem source... não sei se ia funcionar. A API é muito livre -
> muito mesmo. Há gente que se opõe que essa tag seja preenchida em
> importações e que seja na verdade uma tag do changeset (foi o que me
> disseram quando eu preparava os aglomerados subnormais).
>
> Então, o que eu apoio: sistema de visualização gráfica de changesets,
> sistema de moderação. Ah sim, e também concordo que a pessoa teria que
> ser associada à lista de e-mails pra que tirasse as suas dúvidas.
> Podemos requisitar tudo isso, eu acho. Só não sei se vão nos atender
> pra amanhã, e talvez nos digam "tá aqui o código-fonte, façam, mostrem
> que funciona, se gostarmos colocamos no ar no nosso servidor".
>
> 2013/8/23 Gerald Weber <gweberbh em gmail.com>:
>> Prezado Vitor
>>
>> assim como você eu prezo a liberdade e a informalidade. Do contrário não
>> participaria do OSM.
>>
>>
>> 2013/8/23 Vitor George <vitor.george em gmail.com>
>>>
>>>
>>> Sobre a identificação dos usuários, não há descaso. O que há é que o
>>> OpenStreetMap tem uma cultura anti-burocrática, muito diferente do que
>>> estamos acostumados.
>>
>>
>> Discordo. O descontrole é completo, já que os usuário são anônimos.
>> Desculpa, mas cultura anti-burocrática é uma coisa, descontrole total é
>> outra.
>>
>> Eu simplesmente não vejo como conciliar total controle dos dados com total
>> descontrole dos usuários.
>>
>>
>>>
>>> Para se abrir uma empresa no Brasil, por exemplo, são exigidos vários
>>> documentos e procedimentos, o que toma muito tempo (e dinheiro). Esta
>>> burocracia, criada na maior das boas intenções, no final das contas não
>>> garante que as empresas vão agir dentro da lei, pelo contrário, e acaba-se
>>> gerando uma ineficiência econômica.
>>>
>>> Já em países desenvolvidos é fácil você abrir uma empresa. Em questão de
>>> dias você pode fazê-lo, mas estará em sérios problemas se sua empresa for
>>> pega cometendo uma irregularidade. Muito diferente do que em nosso país.
>>
>>
>> Olha, desculpa, mas não vou embarcar nesta conversa de "em países
>> desenvolvidos" tudo é mais fácil. Trabalhei por muitos anos no exterior, sei
>> que não é assim. Algumas coisas são, outras não.
>>
>>>
>>> A filosofia do OpenStreetMap segue a mesma linha anti-burocrática.
>>> Qualquer um pode editar, bastando uma conta de e-mail e a concordância com
>>> os Termos do Contribuidor (Contributor Terms). Mas se um usuário for pego
>>> fazendo edições nocivas, poderá sofrer sanções e até ser banido do projeto.
>>> Veja a lista dos usuários nesta situação:
>>>
>>> http://www.openstreetmap.org/user_blocks
>>
>>
>> Me desculpe, mas as sanções que o usuário sofre são ridículas. É bloqueado
>> até que leia a mensagem (em inglês). Uau, que medo. Veja o caso o Matheus
>> Eduardo. E se for bloqueado? É só abrir outra conta no dia seguinte. A
>> lista: só isto de contas bloqueadas? Tem 1.3 milhões de usuários no OSM!!
>>
>>>
>>> Não é nada difícil identificar padrões de vandalismo, uso de dados com
>>> copyright e outras edições nocivas. Quando um usuário manda uma cidade
>>> inteira para dentro do OpenStreetMap, é bastante fácil perceber. Talvez não
>>> se perceba no mesmo momento que o usuário fez, como foi o caso do Erick, mas
>>> sempre é possível voltar atrás nas edições. Todos os casos de edições
>>> nocivas que você citou podem ser revertidas sem nenhum problema ao serem
>>> identificadas.
>>
>>
>>
>> Pode não ser nada difícil, mas também não é nada fácil. Se a gente recebesse
>> alertas de que dados nossos foram apagados já seria um grande avanço. A
>> gente poderia por exemplo estabelecer no perfil que sempre que mais que X
>> nós forem apagados ou alterados a gente recebesse um email. Sei lá algo, do
>> gênero. Isto é algo que tem que vir de dentro do sistema do OSM, não pode
>> ser um script maluco no whodidit ou coisas do gênero.
>>
>>
>>>
>>>
>>> A gente reclama tanto sobre a cultura burocrática do nosso país, mas
>>> quando nos é oferecida a liberdade, parece que não sabemos o que fazer. Por
>>> isso precisamos ficar bastante atentos a possíveis desvios. Estou percebendo
>>> que está chegando bastante do Tracksource, e acho importante que trabalhemos
>>> para que estas pessoas assimilem a cultura do OpenStreetMap e ajudem a
>>> construir o melhor mapa do mundo.
>>>
>>>
>>
>> Na verdade nosso pais não é burocrático, é desorganizado. A burocracia é
>> consequência inevitável desta desorganização.
>>
>> Agora no OSM a parte das licenças é burocrática e cheia de dedos. Não pode
>> isto, não pode aquilo. Se quiser fazer não-sei-o-que tem que conversar com a
>> comunidade X depois com a lista Y e depois com Z. Em algum lugar temos um
>> conflito de culturas, não temos?
>>
>> Tem hora que confesso que me dá uma pontinha de inveja do TrackSource. Eles
>> não estão nem aí, usam o Google e nem disfarçam, enfim fazem o que querem. E
>> sabe o que vai acontecer? Nada. Absolutamente nada. E nenhum maluco entra na
>> base deles de um dia para outro e sai mexendo nas coisas. Não me entenda
>> mal, eu sou contra copiar se a gente não tem autorização, por isto sou
>> Linux-only há 13 anos, e por isto decidi não participar do Tracksource. Mas
>> eles sim é que não tem qualquer burocracia, e olha que são um projeto
>> brasileiro. E do ponto de vista de mapa o deles dá de 10 a 0 no nosso
>> OSM/Brasil.
>>
>> Da minha parte não estou propondo burocracia nenhuma. Apenas estou apontando
>> que há duas componentes mutuamente exclusivas. De um lado querer um purismo
>> absoluto com a origem dos dados (não pode nem olhar de longe pro Google), e
>> do outro aceitar 1 milhão de usuários anônimos fazendo o que bem entendem
>> com da base. Isto não tem como funcionar.
>>
>> No meu entender o maior problema que afeta o OSM hoje é a confiabilidade dos
>> dados. Não vejo como obter esta confiabilidade com uma base de usuários
>> anônimos-de-poderes-ilimitados. Sempre que eu viajo eu levo uma cópia do
>> mapa do Brasil no Osmand. Toda vez encontro partes que eu mesmo mapeei
>> mexidas e alteradas, muitas vezes erradas. Daí entro em contato com o
>> usuário que alterou e raras vezes recebo alguma resposta.
>>
>> Olha isto cansa. Cansa e desanima. Eu gostaria que o OSM desse tanta
>> importância à proteção dos dados já existentes, de usuários identificados,
>> honestos e tecnicamente capazes como dá importância a preservar a identidade
>> de usuários anônimos e se importar com firulas inatigíveis de licenças.
>>
>> O que eu penso que precisa acontecer seria o seguinte:
>>
>> 1) O usuário cadastra, e ao menos teria de fornecer um nome real e um
>> endereço de correspondência. Isto não é burocracia, é o mínimo do mínimo do
>> mínimo de controle. Eu também não teria nada contra um sistema de endosso
>> como tem no Arxiv, é simples e eficaz.
>>
>> 2) O usuário é automaticamente cadastrado numa das listas de discussão (não
>> entendo porque já não é assim), boa parte dos problemas são de usuários que
>> não se comunicam com a gente.
>>
>> 3) O usuário começa com poderes limitados para editar. Por exemplo não pode
>> apagar dados por algum tempo, não pode submeter um changelog com um conjunto
>> grande de dados (para evitar importações problemáticas) enfim coisas do
>> gênero. Isto seria até para a proteção do próprio usuário novato (e bem
>> intecionado) que se sentiria mais seguro para fazer edições sabendo que não
>> vai causar estragos por desconhecimento.
>>
>> 4) Estabelecer uma lista de tags source, e obrigar a escolher uma delas. Ou
>> seja, deveria ser impossível salvar qualquer dado sem source. Se nenhuma das
>> opções pré-existentes atende, abre-se a discussão e registra-se novas opções
>> de origem de dados. Imagine o seguinte: chega o usuário novo e pega uma
>> coisa do Google e tenta colocar na base, aí ele é obrigado a escolher uma
>> source pré-definida e não aparece "Google", no mínimo vai desconfiar, não
>> vai? Quantos usuários já colocaram dados do Google na melhor das intenções,
>> até colocam source=Google?
>>
>> Ou seja, ou é isto, ou então se aceita que a base de dados do OSM será uma
>> eterna colcha de retalhos de dados que vieram sabe-se lá de onde, e
>> aceita-se que os dados do OSM não são confiáveis já que em qualquer momento
>> alguém pode vir e apagar uma relação crucial ou apagar ou introduzir dados
>> falsos.
>>
>> É uma questão que o OSM vai ter que tratar se quiser sobreviver e não cair
>> na irrelevância. A wikipedia custou mas teve de fazer isto e não vejo como
>> nós podemos continuar sendo cegos para o problema.
>>
>> abraços
>>
>> Gerald
>>
>>
>>
>>
>>
>>
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