[Talk-br] Excesso de living street em Porto Alegre

Paulo Carvalho paulo.r.m.carvalho em gmail.com
Segunda Janeiro 6 23:31:15 UTC 2014


E quanto a highway=service?  No Tracksource, no mapa do Rio, há as tais
ruas de serviço, ruas bem estreitas (ainda com boas calçadas) com
velocidade bem reduzida, que eu classificaria como service.


Em 6 de janeiro de 2014 21:18, Fernando Trebien
<fernando.trebien em gmail.com>escreveu:

> Augusto, vamos por partes. Acredito que você está se baseando
> essencialmente naquilo que você vê no mapa de Porto Alegre hoje. Em
> outros lugares do Brasil, não vi pessoas adotando essa definição de
> living street, e portanto, ainda está aberto para discussão.
>
> A definição de living street é de ruas em que os pedestres têm o
> direito legal de trafegar na pista a qualquer momento, onde os carros
> têm menos preferência que os pedestres e precisam parar para eles. A
> rigor, living streets não existem no Brasil, então, a rigor, elas não
> poderiam ser usadas em lugar nenhum por aqui.
>
> Mas living streets podem ser úteis pra representar algo similar ao
> conceito original. A idéia é que as living streets serviriam como uma
> espécie de "alerta" ao motorista, não de "região pobre" ou de "região
> perigosa" e sim de "via com pedestres na pista" (por qualquer razão
> que fosse). Ao contrário do que você disse, nas últimas discussões
> aqui na lista, o critério da largura foi o que despertou mais críticas
> (mas eu ainda acho ele bastante interessante) e o do compartilhamento
> da pista entre pedestres e veículos foi o que despertou mais
> interesse. Tal compartilhamento acontece em algumas situações, e uma
> delas é dentro dos aglomerados, onde normalmente faltam calçadas
> largas o suficiente para que dois pedestres andem lado a lado, sendo
> assim obrigados a andar na pista. Faz pouco tempo que me dei conta que
> esse critério (o de falta de calçadas) pode ser mais útil do que algo
> vago como "pedestres dividem espaço com os carros", pois é um critério
> mais mensurável. Atualmente, a constatação de que algo é living street
> não se dá nem pelo Street View oficialmente, a princípio a melhor
> fonte seria a opinião de um morador local ou de alguém que trafega
> frequentemente pela via. Não havendo tal opinião, não se classifica
> assim. Havendo, se registra na tag note.
>
> Sem poder considerar inteiramente esse último critério, foram os
> outros motivos que me levaram a marcar as vias dentro dos aglomerados
> em Porto Alegre como living streets. É bem provável que algum
> refinamento seja necessário ainda. Já o último critério eu usei para
> as ruas do centro; note que essas ruas não estão numa região menos
> favorecida, pelo contrário: ali o que existe é o hábito de os
> pedestres não respeitarem os carros, de simplesmente atravessarem na
> sua frente sem esperar. Um motorista que passar por lá sem saber disso
> (ex.: um turista) acaba tendo mais chance de se envolver num acidente,
> sem falar que a passagem seria mais demorada.
>
> Existe uma tag proposta há 7 anos atrás e que nunca foi votada que
> serve para demarcar "perigos", mas li numa discussão que não seria
> para questões de segurança pessoal:
> http://wiki.openstreetmap.org/wiki/Proposed_features/hazard
>
> Se o roteador que você está usando for o OSRM, eis uma rota que passa
> pela Barão do Amazonas, mostrando que o roteador continua levando-a em
> consideração para o cálculo (living street não é fechada para carros):
> http://osrm.at/63a
>
> Devemos classificar sem pensar nas aplicações, mas só pra
> exemplificar, o OSRM me diz que essa rota leva 15 minutos, em
> comparação com a rota principal que leva 14. Ela é 300m mais curta,
> mas mais demorada. O trecho como living street tem pouco mais de 100m
> de extensão. Duvido muito que mudar sua classificação alteraria a
> rota. Outro roteador poderia rotear por living streets por atribuir um
> peso diferente a elas. Algo que faria o OSRM adotar essa rota seria
> completar os semáforos da Avenida Bento Gonçalves; hoje, o OSRM pensa
> que dá pra passar livremente ao longo de toda a avenida, e por isso
> ele pensa que é mais rápido essa rota e não a que você prefere.
>
> Eu discordo que uma via deva ter a mesma classificação em toda a sua
> extensão sempre. Isso faria o final da Avenida Ipiranga ser primária,
> mas é um trecho bem pouco importante, com pouco tráfego:
> http://www.openstreetmap.org/#map=17/-30.06575/-51.14768
>
> O mesmo problema aconteceria no fim da Avenida Otto Niemeyer:
> http://www.openstreetmap.org/#map=17/-30.11010/-51.25349
>
> Quando o pessoal criticou a classificação das terciárias, eu propus
> outro método que não tive tempo de aplicar ainda (talvez você possa me
> ajudar). Eis a proposta com um exemplo do que seria o resultado no
> bairro Menino Deus:
> https://lists.openstreetmap.org/pipermail/talk-br/2013-August/004069.html
>
> Por essa nova classificação, o problema que você citou (de haver
> mudanças de classificação no meio da via) não existiria, nem os dois
> problemas que eu apontei na sua proposta (no final da Avenida Ipiranga
> e no final da Avenida Otto Niemeyer).
>
> Peço que, se você for reclassificar as vias em Porto Alegre, que
> adicione as placas-pare em cada esquina seguindo a representação atual
> das preferências, pra que essa informação não seja perdida para uma
> futura reclassificação. Outra coisa é que, ao decidir a preferência ao
> redor de semáforos, teríamos que medir as temporizações. Eu já fiz
> isso no bairro Menino Deus e guardei a informação na tag "note" dos
> semáforos, mas seria necessário fazer em outros lugares também.
>
> 2014/1/6 Augusto Stoffel <arstoffel em yahoo.com.br>:
> > O atual sistema de classificação de vias permite o uso da tag
> > "highway=living_street" em dois casos: primeiro, através de um
> > critério objetivo baseado na largura da via, e, segundo, através de um
> > critério subjetivo, a saber, a presença de pedestres na rua.  Eu estou
> > de pleno acordo com o primeiro critério, cujo efeito prático é a
> > rotulação de becos em aglomerações espontâneas como living street.
> >
> > Porém, eu não estou muito satisfeito com o segundo critério.  O
> > principal efeito prático desse segundo critério é a possibilidade de
> > marcar como living street qualquer via que contorne ou atravesse um
> > aglomerado subnormal, ou qualquer outra região da cidade que o
> > mapeador julgue perigosa, desaconselhável, ou desagradável.  Não vou
> > tentar escrever uma dissertação coerente sobre o tema, mas vou
> > mencionar rapidamente alguns pontos que me desagradam.
> >
> > * Imparcialidade/transparência: Quem somos nós (mapeadores do OSM)
> >   para decidir quais ruas são perigosas, desaconselháveis ou
> >   (in)dignas dos nossos usuários?  Nós temos muito menos potencial de
> >   fazer isso "bem feito" que as companhias big data, e por outro lado
> >   o OSM pode vir a ser, em breve, a única ferramenta a mostrar nossas
> >   cidades de forma imparcial e transparente -- em [1] há um artigo
> >   muito interessante sobre isso.  Assim eu acho que nós devemos
> >   excluir dos nossos mapas qualquer tentativa de indicar se uma área é
> >   gueto ou não, com as vantagens e desvantagens que isso possui.
> >
> > * Roteamento: Uma das razões para marcar certas vias como
> >   contraindicadas seria melhorar o roteamento.  Eu não gosto dos
> >   resultados, na prática.  Por exemplo, o trajeto que eu costumava
> >   fazer do Campus do Vale da UFRGS até o (defunto) Estádio Olímpico
> >   incluía tomar a Barão do Amazonas, Caldre Fião, Oscar Schneider, etc
> >   [2].  Esse é provavelmente o caminho ótimo para quem prefere vias
> >   secundárias; e talvez seja melhor que o caminho canônico (que
> >   seguiria pela Bento Gonçalves até a Azenha) até mesmo para quem
> >   prefere vias principais.  No entanto, foi decidido que a Barão do
> >   Amazonas é uma rua indigna, e o roteador nunca descobrirá esse
> >   caminho, mesmo operando em um modo que prefere vias secundárias.
> >
> >   Outro exemplo em que eu acho a situação um pouco exagerada é este
> >   trecho da Avenida Jacuí [3], que muda de secondary para living
> >   street porque se aproxima de uma vila.  Não vejo razão alguma para o
> >   roteador evitar esta rua.
> >
> > * Verificabilidade: exceto pela existência de sinalização alertando
> >   para pedestres/crianças na via (coisa não muito comum), a única
> >   forma prática de constatar e verificar a existência de pedestres na
> >   via parece ser usando o Google Street View.
> >
> > Em suma, eu preferiria remover o caso "pedestres na via regularmente"
> > do diagrama de classificação de vias, e usar living street
> > exclusivamente para vias residenciais que comportam no máximo um
> > automóvel.
> >
> > PS: Eu não expressei minha opinião a respeito da polêmica anterior
> > sobre o excesso de tertiary em Porto Alegre / promoção por preferência
> > porque na época eu recém tinha começado a pensar no OSM.  Aqui vai um
> > breve comentário.  Eu concordo com a filosofia da promoção por
> > preferência; o que eu acho que está dando errado é a classificação de
> > uma rua mudar em um ponto em que as características físicas da rua
> > (como largura ou pavimento) não mudam.  Assim, eu diria que, via de
> > regra, uma rua deve possuir uma única classificação em toda a sua
> > extensão e deve ser promovida de residential para tertiary se ela tem
> > preferência sobre a maioria das outras residentials que ela atravessa
> > (e similarmente para distinguir secondary de tertiary).  Ou seja, um
> > ganho de preferência isolado não gera promoção, e uma perda de
> > preferência isolada não gera demoção.  É claro que essa idéia mais
> > global é mais difícil de traduzir em um algoritmo totalmente livre de
> > ambiguidade, e provavelmente exigiria um "input" subjetivo, baseado em
> > conhecimento local.  [Mas nota que isso é diferente do caso da living
> > street em que estamos arbitrando que tal rua deva ser totalmente
> > evitado, exceto para acesso local.]
> >
> > [1]
> >
> https://www.aclu.org/blog/racial-justice-criminal-law-reform-technology-and-liberty/your-turn-turn-navigation-application
> >
> > [2] http://www.openstreetmap.org/#map=16/-30.0637/-51.1959
> >
> > [3] http://www.openstreetmap.org/#map=17/-30.07853/-51.23620
> >
> > [4] http://www.openstreetmap.org/#map=17/-30.03503/-51.15997
> >
> >
> > _______________________________________________
> > Talk-br mailing list
> > Talk-br em openstreetmap.org
> > https://lists.openstreetmap.org/listinfo/talk-br
>
>
>
> --
> Fernando Trebien
> +55 (51) 9962-5409
>
> "The speed of computer chips doubles every 18 months." (Moore's law)
> "The speed of software halves every 18 months." (Gates' law)
>
> _______________________________________________
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> Talk-br em openstreetmap.org
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>
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