[Talk-br] Estamos vivenciando uma experiência meritocrática?

Jose Carlos Medeiros jcnascimento em gmail.com
Sábado Dezembro 26 01:30:37 UTC 2015


Boa noite,

Eu acho o sistema de "Karma" utilizado pelo PHP e Debian muito bom. O nome
bonito para a meritocracia nos projetos.
No PHP existe um grupo de aprovadores de novas funcionalidades da
linguagem, este grupo é composto de pessoas com X de karma. O karma é
medido em commits e acho que alguns itens como participação em forum,
traduções etc...
Mas acho que isso tem que ser alinhado com o OSM, pois seria um grupo aqui
que poderia fazer commit da base do Brasil todo, e não mais qualquer
usuário, seguindo a ideia do Gerald. Será que eles aceitam isso?
Outro problema são os sistemas envolvidos, tudo isso tem que ser meio
automático, como contar os commits elegíveis a karma positivo, senão um
usuário fica alterando a mesma coisa e vai ganhando karma, por outro lado,
fiscalizar manualmente fica impossível.


Att
José Carlos

Em 25 de dezembro de 2015 21:22, Alexandre Magno Brito de Medeiros <
alexandre.mbm em gmail.com> escreveu:

> *Era:"Re: [Talk-br] Lacuna no mapa - SC"*
>
> Gerald,
>
> Entendo que o Paulo nos pediu para olharmos com analogia o processo de *merge
> request* que dar-se em processos de desenvolvimento de software.
> Obviamente, não devemos esperar que os muitos mapeadores OpenStreetMap se
> adaptem a algo que tenha aparência com git + XML. Se não me engano, já
> existe gente lá fora, em projeto GSoC, trabalhando sistema web de monitoria
> e fiscalização para o OSM.
>
> Então vem a sua questão (em minhas palavras, permita-me):
>
> — Mas quem teria o poder nas mãos, para operar tais sistemas?
>
> Ingenuamente, até poucos dias atrás, *eu só pensava na necessidade de
> politização e legislação* dentro do projeto. Mas o Peter Krauss tem me
> mostrado que um sistema com princípios de qualificação pessoal "como"
> aqueles do StackOverflow pode ser de grande ajuda, para instituirmos (sem
> tirania) construção ou reconhecimento de autoridades na comunidade.
>
> Referência: Estamos vivenciando uma experiência meritocrática?
> <http://meta.pt.stackoverflow.com/questions/1825/estamos-vivenciando-uma-experi%C3%AAncia-meritocr%C3%A1tica>
>
> Com "princípios sociais" de "qualificação pessoal" como aqueles, as
> pessoas (cada um de nós) poderiam conquistar as autoridades necessárias
> para exercer os mais variados poderes dentro OSM.
>
> Na minha opinião, para início, o correto seria integrar uma *"máquina de
> computação de reputação*" a toda ferramenta de colaboração do projeto:
>
>    - site principal (base de dados)
>    - wiki
>    - fórum
>    - históricos das listas
>    - etc.
>
> Toda colaboração teria de virtualmente servir para computar a reputação de
> alguém., baseando-se em critérios sociais do tipo: "gostei", "eu sigo",
> "isso está correto ou funcionou pra mim".
>
> Quem entendeu? Parece ser a única saída... para não impor nada.
>
> "O povo OSM decidiria quem nele teria poder, e quais poderes."
>
> Alexandre Magno
>
> Em 25 de dezembro de 2015 19:14, Gerald Weber <gweberbh em gmail.com>
> escreveu:
>
>> Oi Paulo,
>>
>> interessantes as suas colocações, mas tenho algumas observações a fazer
>>
>> 2015-12-25 14:37 GMT-02:00 Paulo Carvalho <paulo.r.m.carvalho em gmail.com>:
>>
>>> A coisa é muito simples e funciona.  Darei dois exemplos de sucesso já
>>> comprovado: software open-source e publicações científicas.
>>>
>>
>> Nenhum dos dois modelos involve leigos, mas pessoas altamente
>> especializadas. Ninguém contribui num projeto de software sem ao menos um
>> domínio básico das linguagens envolvidas. Ninguém publica em revistas
>> científicas sem muitos anos de especialização. Outro ponto é que o número
>> de pessoas envolvido num projeto de software é bastante restrito, assim
>> como o número de pessoas que estão envolvidas numa publicação caberiam numa
>> sala (exceto nas colaborações de física de partículas, exemplo LHC).
>>
>> Já o modelo do OSM envolve uma variedade de pessoas muito grandes, desde
>> especialistas em GIS até leigos totais em cartografia (como eu por
>> exemplo). Também o número de pessoas envolvido aqui é bem maior do que em
>> qualquer projeto de software típico.
>>
>>
>>> Ambos os processos são pautados no princípio do terceiro confiável.  O
>>> OSM não aplica esse princípio, ou seja assume que uma das partes (no caso
>>> os usuários) é confiável, e o resultado são as frustrações e as
>>> consequentes perdas de tempo consertando que vemos com frequência.
>>> Conclusão: o modelo de colaboração do OSM é ineficiente.  A solução para
>>> essa ineficiência está aí.  Não fazem porque não querem.
>>>
>>
>> Não sei como se poderia operacionalizar um modelo de validação eficiente
>> no OSM diante de um público tão heterogêneo. Qualquer que seja a solução
>> ela envolve gente para operacionalizar isto. A lógica dominante no OSM é
>> que tendo uma massa grande de mapeadores qualquer problema seja rapidamente
>> solucionado. O nosso problema aqui na América do Sul é que não temos essa
>> massa de gente e por isto a lógica que funciona na Europa não funciona para
>> nós.
>>
>>
>>>
>>> Os mapas do OSM existem em forma de XML, o que seria perfeito de se
>>> sujeitar a um sistema de versionamento moderno como o Git e o Mercurial.
>>>
>>> O ser humano é falho, seja por má intenção ou por descuido.  O peer
>>> review e o merge request são mecanismos criados para justamente impedir
>>> tais falhas de contaminem os respectivos produtos de forma que o reparo
>>> seja muito custoso ou que traga consequências ruins.
>>>
>>>
>> Bom, eu trabalho com peer review diariamente e posso te contar cada
>> história, mas isto é outra conversa ;)
>>
>> Agora, como o atual sistema funciona bem na Europa, eu percebo uma
>> resistência muito grande em introduzir qualquer mecanismo que possa ser
>> visto como uma barreira. A recente tentativa do Arlindo de solicitar um
>> simples aviso no Id é bem emblemático disto, os desenvolvedores do Id nem
>> deram papo e fecharam a requisição horas depois.
>>
>> Mas uma idéia que eu acho que podemos emprestar da área de software é
>> trabalhar com versões beta e versões estáveis da base. Por exemplo, fazemos
>> uma cópia local da base do OSM (digamos só do Brasil) da qual temos
>> razoável confiança de não ter nenhum problema maior e declaramos ela como
>> versão estável. A partir desta versão poderíamos produzir um índice de
>> qualidade calculado a partir de validações e testes. A versão estável só
>> seria substituída periódicamente por uma versão com índice de qualidade
>> maior, ou algo do gênero. A gente só usaria a versão estável para gerar
>> mapas para dispositivos ou quaisquer outros fins. A gente poderia até
>> eliminar localmente os changesets duvidoso da base estável, da mesma
>> maneira como bugs são corrigidos em versões estáveis de software. Bom, é só
>> uma idéia que precisa de amadurecer, mas se a gente conseguir por algo
>> assim para funcionar eu acho que a gente poderia conseguir a aceitação
>> disto de muita gente por aí que depende de maneira crítica da base.
>>
>> abraço
>>
>> Gerald
>>
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